quinta-feira, 12 de abril de 2012

De vez em quando um susto!! (D+174)



O último exame que realizamos em São Paulo nos trouxe muita angústia e muita reflexão.

Se o quimeirismo estava baixando, isto é, se a medula do doador estiva produzindo menos sangue e a sua medula original de fábrica estava voltando a funcionar, nos veio o medo do pior: começar tudo de novo! Rodar a pesquisa nacional e a internacional atrás de um novo doador compatível, reinterná-lo em São Paulo, e passar por todos os "Ds" novamente!!

Com isso, a possibilidade de deixar de tomar mais um dos remédios foi por água abaixo e as pesquisas e questionamentos começaram e as respostas que tivemos foram:

Dos casos tratados semelhantes ao do Gui, quantos tiveram sua medula recuperada e perderam o transplante?
- No grande universo de 47 casos (no mundo todo, diga-se de passagem!!), apenas um perdeu o transplante.

É certo que o quimeirismo volte a subir ou a baixar mais?
- Nada é certo! E no âmbito da medicida, a variação de 100 - 88 - 81 - 66 significa oscilação. Nada parecido com o que aprendemos em Economia...

É possível afirmar que se seus neutrófilos, a parte do leucócito responsável pela oxidação de fungos e bactérias, possa ter diminuído ou se mantido estável?
- Esta finalmente era uma pergunta que os médicos tinham como responder, mas com o Gui nada é tão simples...

E foi assim que identificou-se a necessidade de refazer o exame do DHR, aquele que nos deu o diagnóstico da sua doença e que não é realizado aqui no Rio. Para tanto, havíamos duas alternativas, aguardar a próxima visita a São Paulo e levá-lo no Fleury, ou pedir a ajuda ao José Marcos de forma que pudéssemos levar o sangue do Gui à UFMG.

Paralelamente, também havia a necessidade de se fazer um quimeirismo ainda mais detalhado. Ou seja, neste exame poderíamos saber com mais precisão o percentual de neutrófilos e linfócitos produzidos pelas duas medulas, respectivamente. Porém, precisávamos ter uma amostra do DNA do doador. E como conseguí-la? No Einstein havia pois lá foi realizado o transplante e havia tal amostra, mas e no Rio?

Bom, a primeira fase foi resolvida! Depois de colhido sangue via cateter, o Luis Claudio saiu em disparada para o Santos Dumont levando uma amostra do sangue do Gui até a UFMG para análise e no dia seguinte tínhamos o resultado: 97% dos neutrófilos reagiam!!! Iuuuuupiiiiiii!!

Foi um alívio, mas precisávamos ter a certeza do resultado através de um exame chamado "Quimeirismo Triado" que até poderia ser feito aqui no INCA se houvesse uma amostra do DNA do doador. Daí, lembrei que havia um único laboratório no Rio que poderia ter a amostra. Foi neste laboratório que havia sido feito os testes confirmatórios pré-transplante, portanto, lá poderia ter o que precisávamos. E lá fui eu!!!


Peguei aquela caixinha de isopor e rumei para o INCA. Andei por alguns andares até achar o laboratório, mas a recepcionista não tinha ideia do que seria aquela caixinha e a quem entregá-la, foi quando chamou a pessoa responsável pelo laboratório e senti um grande alívio quando a ouvi-la dizer: Puxa!!! Estava exatamente esperando por este material!!! Yessssss!!!

Daí somente nos restava aguardar longos 6 ou 7 dias...

E no dia que imaginava receber o telefonema do JM com a resposta, não desgrudei do celular, mas eu havia sido escalada para dar uma palestra para um grupo de empregados do BNDES. E claro, vocês podem imaginar em que momento o telefone tocou, né?! Um amigo do trabalho atendeu e eu não sabia se prestava atenção nos questionamentos de um dos participantes ou na conversa que se desdobrava ao telefone até que tive um sinal positivo!! Não sei como consegui terminar a apresentação, mas quando conclui minha parte, saí da sala com o telefone em mão e li:

"Adriana, boas novas: quimeirismo 94% em granulócitos e 72% em linfócitos!... Estou super feliz! JM".

Curiosamente e felizmente, o resultado apontava que a parte do sangue do Gui que não funcionava estava sendo suprida pelo sangue produzido pela medula do doador, e os linfócitos, parte do sangue do Gui que funciona, sendo produzida ainda em maior parte pela medula do doador, mas um percentual considerável já produzido pela medula do Gui.

Qualquer hora do Gui me deixará desidratada de tanto que choro!! Saí da sala, li, sentei no chão e chorei!!!

Deu para entender?! Pois é... as vezes eu acho que também não estou entendendo nada!! Mas como a mensagem do JM começou como "boas novas"e terminou com "estou muito feliz!"quem sou eu para dizer o contrário!! Fico feliz também!!! E choro mesmo!!! rsss

A questão toda é que durante o primeiro ano de transplante poderemos passar por sustos semelhantes, temos que estar sempre firmes, alertas e com o ecocardiograma em dia!!

Um grande beijo a todos!!

Adriana.