domingo, 18 de março de 2012

É dos carecas que elas gostam mais!


Quando soube que devido aos efeitos da quimioterapia o Gui provavelmente ficaria careca (fase pré transplante, onde era necessário matar a medula dele para receber a do doador), pensei que assim que ele perdesse o cabelo, rasparia o meu. Confesso que sempre tive curiosidade de saber como ficaria careca, até porque cabelo é uma coisa que nunca me faltou. Apesar do medo de ficar sem minha vistosa cabeleira, seria uma bom gesto de cumplicidade com o nosso filhotinho.
Para nossa surpresa ele saiu do hospital ainda com cabelo, dando pouca impressão de que ele podia realmente perde-los. Mais de um mês depois o cabelo começou a cair, porém não valia a pena cortá-lo, pois era muito fino e se passassemos uma máquina temíamos que além de assustá-lo, também poderia causar alguma irritação na pele dele que já estava fragilizada pelo tratamento. Optamos assim por esperar ele cair por completo. Porém alguns fiapos mais longos resistiam bravamente, o que fez com que o nosso pequeno herói ficasse parecido com o Einstein e um novo cabelo fosse aos pocos surgindo. Achei que a hora tinha finalmente chegado, e fui para um barbeiro na esquina do apartamento que alugávamos em SP. Como a idéia era raspar, achei que deveria ir num barbeiro desses baratos e tradicionais, com profissionais com cara de estivadores e calendários de mulheres na parede. Assim que expliquei que queria passar a máquina mas não sabia qual o número seria o ideal, o barbeiro logo me perguntou se eu queria o corte do Neymar. Falei que não, que a idéia era ficar parecido com o meu filho que estava com um cabelo bem ralinho e ainda não jogava bola. Optou-se assim pela máquina 01, e lá se foi toda a minha cabeleira em questão de segundos...olhei o chão e acho que sei o que Sansão sentiu quando perdeu o seu poder. Sensação estranha...senti logo de cara um frio estranho na cabeça. Quando saí e senti os raios de sol na cabeça, a sensação foi a contrária: queimava!
Cheguei em casa e a surpresa foi total. O Gui ficou me olhando com cara de interrogação, provavelmente se perguntando quem era o sujeito careca que falava com ele como se o conhecesse desde sempre.

Passei assim a compartilhar do universo dos "individuos com deficiência capilar craniana". Assumindo a minha calvicie (mesmo que artificial) passei até a me achar mais bonito e remoçado. Fiquei pensando se não iam me confundir com o Paulo Zulu na rua..rsrsrs. Frases típicas dos carecas passaram a fazer parte dos meu ditos: "Deus fez poucas cabeças perfeitas, nas demais ele cobriu de cabelos". Devo ter ficado mais bonito mesmo, pois pela primeira vez passaram a achar o Gui a cara do pai!

Brincadeiras a parte, fico muito orgulhoso de estar vivendo intensamente todos os momentos difíceis que tem sido a luta do Gui ao lado dele. E no pequeno gesto simbólico de cortar o cabelo, poder mostrar a ele o quanto estamos juntos com ele em todos os momentos!

E no amor da Adriana por nós dois, sem dúvida poder comprovar nem que momentaneamente, a verdade da frase: "É dos carecas que elas gostam mais!"


Abraços e beijos para todos!

Luis Claudio Anisio

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