sábado, 12 de novembro de 2011

Gui no Globo Repórter. Em 11/11/11

Edição do dia 11/11/2011

11/11/2011 22h40 - Atualizado em 11/11/2011 23h39


Médica na Alemanha


corre para levar medula


para menino no Brasil


O menino Guilherme terá que passar por um transplante de medula para se livrar de uma doença do sangue que o deixa desprotegido contra infecções.

Graziela AzevedoSão Paulo

A fila de transplante é muito mais que uma fila. Quem espera, tem rosto, nome e, sobretudo, história. São histórias que dão outra dimensão à palavra vida.

O geólogo Luis Claudio Anisio tirou licença do emprego. Acaba de se mudar para São Paulo. Foi na frente e agora espera pelo renascimento do filho. “A gente está considerando que agora vai ser a última grande internação dele para a cura”, torce.

Nos braços da mãe, chega Guilherme. Ele precisa de antibióticos fortíssimos para enfrentar ambientes como o do aeroporto. Gui vai ter que passar por um transplante de medula para se livrar de uma doença do sangue que o deixa totalmente desprotegido contra infecções por fungos e bactérias.

”Agora a gente vai direto para o hospital. Vai implantar um catéter nele para começar a quimioterapia para, depois, receber pelo mesmo catéter a medula”, explica a mãe, a economista Adriana Mezabarba.

Em um ano de vida, Guilherme passou meses internado com graves infecções. Aprendeu a brincar com os equipamentos do hospital. “Ele vai colocar amanhã o cateter. Aí começa a quimioterapia. Na semana que vem é o nosso grande dia”, conta a mãe.

Mas antes a luta será contra o relógio. O maior desafio de quem precisa de uma medula é achar um doador compatível. Guilherme encontrou o seu na Alemanha. É para lá que, quatro dias antes do transplante, a hematologista Andrea Tiemi Kondo, do Hospital A.E./SP, segue levando uma câmera do Globo Repórter. Já no aeroporto, a corrente de solidariedade para ajudar Gui ganha novos elos.

Andrea grava seus passos. Ela faz o check-in. “Nesse momento estou em uma briga para levar na mão as minhas duas malas, minha pequena mochila e a malinha para eu carregar a medula.”

Ela relata ainda que teve a sorte de encontrar o atendente do aeroporto Leonardo, que foi doador de medula para o irmão. “Ele acha que vai se emocionar. Então não quer contar muito. Mas eu tenho certeza que foi por causa disso que ele se empenhou tanto”, reflete a médica.

Enquanto isso, Guilherme vive uma contagem regressiva: sete dias de quimioterapia totalmente isolado no quarto do hospital. “Está tudo na agenda, tudo no calendário”, avisa a mãe.

“Nos primeiros dois dias de quimioterapia, ele teve uma reação ao medicamento que não estava muito previsto. O quarto é até grande, mas, para uma criança, nada é suficiente. Aí o cabelinho dele começou a cair. Da porta do quarto do hospital para dentro é só sorriso, só alegria, só brincadeira. Da porta para fora, aí são outros quinhentos”, relata.

Na Alemanha, Andrea também não para. Ela vai registrando momentos da viagem. Chega a Stuttgart. “Agora, vou pegar o ônibus para chegar ao destino do nosso doador de medula.”

O doador mora em Tübingen. É um jovem de 23 anos que, sem nunca ter visto o pequeno brasileiro, pode salvar a vida dele.

Andrea mostra o hospital que realizou a coleta de medula. “Nós não temos como entrar em contato com o doador. Esse é um sigilo guardado, até em questão de proteção ao doador”, ressalta.

A luta contra o tempo continua. Depois de coletada, a medula tem prazo de 48 horas para chegar até o receptor. A sincronia tem que ser perfeita. A quimioterapia de Guilherme acaba em um dia e, no outro, Andrea desembarca, ainda assustada com o risco que correu.

”Um voo atrasou. Eu quase perdi a conexão. Por eles saberem mesmo da importância disso, o voo ficou aguardando a gente chegar com a medula para que não atrasasse nada no nosso transplante”, relata.

De volta ao Brasil, praticamente sem dormir, Andrea vai direto para o laboratório do hospital. O doador tem tipo sanguíneo diferente do de Guilherme, e é preciso tirar essas células estranhas e preparar a medula.

Depois de 35 horas da retirada da medula na Alemanha, Andrea chega ao hospital com a bolsinha com as células. Uma bolsinha cheia de esperança que será transplantada para o corpinho de Guilherme. Agora, é se preparar para o momento e torcer muito.

Andrea revela que está nervosa. “A gente já faz isso há um tempo, mas é sempre uma grande expectativa. É um momento de muita alegria. A gente sempre fica um pouco ansiosa”, diz.

A família de Guilherme acena para a médica e vibra com a chegada da caixinha.

No quarto do hospital, cada gesto expressa uma emoção. Há alívio, medo e alegria – tudo ao mesmo tempo. Andrea sorri com seu tesouro nas mãos. O transplante será como uma transfusão de sangue. Gui exibe sua encantadora inocência.

Depois de meia hora, quase no final do transplante, Guilherme dorme - e o pai desaba, chorando.

Andrea sai do quarto e conta que, lá dentro, foi uma choradeira. “A gente vai fazendo exames diários e vamos avaliar quando começar a subir os leucócitos, que são as células de defesa. Essa vai ser a forma que a gente vai identificar que a medula pegou.”

”É incrível. Uma pessoa do outro lado do mundo, sem ele saber a quem, um ato de amor dele proporcionou toda essa felicidade para a gente”, comemora a mãe.

Tão longe e tão perto.

5 comentários:

  1. Tudo é possivél aquele que crê, boa sorte nessa nova jornada, vai dar sempre td certo, li o seu blog e não aguentei, precisei comentar, não existe palavras, mais sim um DEUS onde nada acontece sem um motivo, hj sou mãe e sei o quanto é doloroso, não consigo ver um so programa que fale de criança e não me emocionar, desejo a vcs td de bom nessa nova jornada, acreditem em DEUS ele nunca falha!!! bjs para o GUI...
    Eu descobri... QUE SER GRANDE é poder sempre fazer coisas pequenas QUE SER GRANDE é não desistir quando as coisas ficam difícies QUE SER GRANDE é ter humor para enfrentar desafios QUE SER GRANDE é simplificar as coisas complicadas. SER GRANDE não é encostar no teto com as mãos e sim os outros com a alma. Ter coragem é saber que o medo não é um conselheiro... SER GRANDE é ser pequeno no tamanho e grande na vontade. Por isso eu penso sempre... INSISTA, PERSISTA E NUNCA DESISTA. PRISCILA MENDES

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  2. Olá!! hoje me emocionei muito quando vi que o Gui se encontra de alta do hospital, torço muito por voceis desde que soube que esperavam pelo transplante. Graças a Deus deu tudo certo. Que o nosso Senhor possa Abençoar a cada dia mais e mais ao Gui e a voceis pais para ajudarem ele a superar tudo isso, em nome de Jesus.

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  3. História emocionante de luta, fé e esperança! Chorei vendo no Globo Reporter e choro novamente lendo agora! Que Deus abençoe essa família linda, e que o pequeno Guilherme possa ainda dar muitas alegrias para vcs!!!! Parabéns pela garra, força e fé!!!

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Olá Adriana, Luís Cláudio e Gui,

    Nós conhecemos a estória do Guilherme um pouco antes dela ir ao ar no ultimo Globo Repórter. Nós estávamos no mesmo avião que trouxe a medula da Alemanha, mais precisamente estávamos sentados ao lado da Andréia.

    Quando esperávamos pela partida do vôo em Munique, confessamos que começamos a ficar impacientes com a demora, já eram passados 15 ou 20 minutos do horário previsto para a partida e o avião continuava no portão com as portas abertas, até que de repente alguns passageiros atrasados entraram apressados e tomaram seus assentos. Ao nosso lado sentou-se a Andréia que carregava uma pequena caixa azul com alguns adesivos que diziam “biológico”… algumas pessoas obviamente olharam para aquilo com certa desconfiança, o que piorou um pouco quando a aeromoça veio até ela perguntar o que era aquilo e se ela tinha alguma documentação para apresentar para o capitão. Nós, apesar de estarmos bem ao lado não ouvimos a conversa e a dúvida persistiu. Mas, com o OK do capitão as coisas prosseguiram normalmente e o avião decolou.

    Continuamos imaginando o que poderia ser aquilo e durante quase todo o vôo ensaiamos nos intrometer e perguntar, entretanto, poucas horas antes de chegarmos a São Paulo, Andréia nos perguntou se podíamos ajudá-la com uma filmagem e nos explicou o que era aquela caixinha e pra o que era o vídeo. Imediatamente peguei a câmera e fizemos um pequeno vídeo no qual ela comentava a parte final da maratona que ela havia vivido na Alemanha. Isso feito, conversamos por mais um tempo e ela nos contou que a medula estava indo para um garotinho de um ano que já estava fazendo tratamento e que naquele momento estava no hospital esperando por ela. Nessa hora toda a nossa desconfiança e inicial e impaciência pelo atraso nos fizeram sentir bobos e mesquinhos. A estória do Gui e de vocês nos tomou de um jeito que foi difícil conter a emoção.

    Ao pousarmos, não conseguimos nem falar tchau pra Andréia que saiu correndo de lá… com toda a razão! Mas pensamos muito na estória e em vocês, a família. Contamos isso pra muitas pessoas e não houve uma vez sequer que eu tenha contado essa estória e não tenha ficado com um nó na garganta. De certa forma, sentimos quase como se tivéssemos participado de tudo isso. :)

    Ao final, já não estávamos mais no Brasil quando o Globo Repórter foi ao ar, mas assistimos mesmo daqui da Suécia, onde moramos, e nos emocionamos mais uma vez.

    Fizemos questão de escrever essa mensagem para lhes dizer que mandamos todas as melhores energias possíveis para vocês e que, do fundo do nosso coração, desejamos que toda essa luta fique agora pra trás como uma bela experiência de força e superação e abra espaço para uma linda vida pela frente. Nós ainda não somos pais, mas podemos, mesmo que bem de longe, imaginar a forca e a garra que vocês precisaram ter e os desejamos tudo de melhor sempre! Para o Gui, que renasceu, no mesmo hospital no qual eu nasci :), desejamos uma vida inteira pela frente repleta das melhores coisas e alegrias. Temos certeza que nesse um ano de vida, mesmo com tudo o que passou, ele recebeu muito amor e energia positiva de todos a sua volta e, desejamos que isso só se multiplique!!!

    Continuaremos a acompanhar as notícias de vocês e sempre mandando energias e pensamentos positivos! Mesmo estando longe, nos sentimos muito perto de vocês!

    Um grande beijo a todos!

    Leandro e Marzia
    Leandro.santini@live.com

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